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28/09/2010

“A conservação preventiva da herança documental em climas tropicais: uma bibliografia anotada”

Buscando referenciais para o ofício de Conservadora/Restauradora, encontrei uma publicação disponível para download:

"A conservação preventiva da herança documental em climas tropicais: uma bibliografia anotada"

René Teijgeler
Publicações Técnicas
Biblioteca Nacional
Lisboa, 2007




A publicação portuguesa, além de trazer os conceitos básicos de preservação e conservação, apresenta vasta bibliografia.

Disponível em http://purl.pt/13853/1/

Trecho da apresentação de Maria Luísa Cabral:

"Em sessenta anos de ciência da conservação muita coisa mudou; a complementaridade que registamos com este livro é seguramente uma mudança maior. Por outro lado, ter a possibilidade de dispor dum manual deste tipo para toda a comunidade de língua portuguesa, constituía um desafio enorme, profissionalmente muito compensador. (…) Também devo sublinhar que a tradução deste livro é duplamente oportuna. Do ponto de vista da orientação científica porque nunca é demais explicar e divulgar que as instituições, e os seus profissionais, devem optar pela conservação preventiva. Não há mais tempo, dinheiro ou perícia humana suficientes para os cuidados que a vasta massa documental exige. Esta ideia tem de solidificar
desde a primeira decisão ou, como diz o autor, não fosse um bom edifício a primeira linha de defesa."

13/09/2010

Mais Vincent...


Já tive a oportunidade de apreciar referências importantes para compreender um pouco a obra de Vincent: contato com obras em museus, visitando Auvers sur Oise, publicações (Obra Completa, da Taschen; Biografia por Jo Van Gogh-Bonger, sua cunhada; Cartas à Theo).


Mas tenho em minhas mãos uma referência interessantíssima sobre Vincent Van Gogh, que ganhei de uma querida amiga. Como ela é psiquiatra, já conversamos muitas vezes sobre o artista atormentado. Desta vez ela me trouxe de presente uma biografia do artista do ponto de vista médico.


Fica aí a dica de leitura, para quem se interessar!

A Doença e a Arte de Vincent Van Gogh
Elza Márcia Targas Yacubian
Casa Leitura Médica

"Apesar da falta de reconhecimento profissional por parte dos seus contemporâneos, Vincent Van Gogh desenvolveu uma idéia artística própria, alcançando uma vasta obra só tardiamente reconhecida e de inestimável valor na atualidade. Sua enfermidade, bem como a influência desta em sua obra, tem sido objetivo de numerosas investigações e especulações, desafiando a medicina mais de 150 anos após o seu nascimento. Suas cartas autobiográficas e o diagnóstico de seus médicos confirmam o fato de que ele apresentou sintomas físicos e psicopatológicos, especialmente nos seus últimos anos. A patografia de van Gogh é facilitada por suas cartas, cuidadosamente ordenadas por Johanna van Gogh-Bonger, a esposa de seu irmão Theo. Neste texto, não existe a ambição de trazer contribuições científicas sobre a possível doença ou renovar a interpretação de algum aspecto de sua obra, são apresentados apenas o resumo do material colhido nas publicações citadas na bibliografia. Ao final, constata-se que a admissão em um hospital nos dias atuais de um gênio como Vincent van Gogh seria um desafio semelhante ao que enfrentaram os médicos do século XIX."

13/05/2010

Os princípios de uma restauração “à francesa”

Os princípios de uma restauração “à francesa”
Béatrice Sarrazin – Chefe do Departamento de Conservação-Restauração C2RMF – Centro de Pesquisa e de Restauração dos Museus da França



A restauração é um procedimento crítico que leva em conta vários parâmetros. O ato de restauração é, de fato, uma intervenção sobre a matéria da obra, com a consciência nítida de sua vulnerabilidade e de seu caráter insubstituível. Contudo, um projeto de restauração não é simplesmente uma proposta técnica; ele se completa por outras considerações de ordem científica, mas também histórica e deontológica, uma vez que a obra carrega em si valores que evoluem e se transformam em cada época.
Várias respostas podem ser dadas à pergunta “porque são feitas restaurações?”. A primeira está ligada à materialidade do objeto: restaura-se para preservar a integridade da obra. Um quadro, por exemplo, é feito de materiais de naturezas diversas, unidos em uma ordem escolhida pelo artista. A segunda diz respeito à maneira como as gerações passadas consideraram a obra: restaura-se para garantir o respeito e o seu significado cultural, histórico e artístico. A terceira está relacionada ao valor patrimonial que se quer dar à obra: restaura-se para assegurar e sua passagem para as futuras gerações. No entanto, a obra sofreu os efeitos do tempo. A matéria envelheceu; transformou-se. Ela apresenta alterações, algumas delas irremediáveis (fissuras, desgastes, descoloração dos pigmentos). Ao optar por restaurar uma obra, não se busca recuperar o estado original/criativo, definitivamente perdido, mas sim, alcançar um estado que resulte de uma interpretação crítica e que leve em conta a história do objeto.
Alguns princípios estabelecidos por nossos antecessores guiam o nosso trabalho cotidiano nos ateliês de restauração do Centro de Pesquisa e de Restauração dos Museus da França. A restauração é um processo interdisciplinar para o qual são necessárias as competências do restaurador, do cientista e do historiador de arte, cada um contribuindo para a compreensão da obra e trazendo respostas possíveis às perguntas feitas. A observação visual, o estudo científico (exames, análises e datação), o conhecimento técnico e histórico, nutrem a reflexão que precede a intervenção. O profissional formado e experiente tem, em última instância, o imenso privilégio de tocar na obra. Esta colegialidade se expressa em comitês científicos que garantem o acompanhamento e a validação das etapas da restauração. A operação como um todo é documentada, cada etapa do processo sendo um registro.
A restauração baseia-se na escolha de um modo de proceder. Esta decisão é norteada pela própria obra e se faz em função dela. A escolha decorre das possibilidades – mas também das impossibilidades – técnicas. Ela traduz a concepção que nós temos da obra. A opção escolhida é sempre ponderada, discutida, e a qualquer momento, deve poder ser justificada. Este trabalho exige prudência e humildade, momentos de pausa e de reflexão. A escolha final contém uma parte subjetiva ladeada pela metodologia estabelecida.
Caracterizada por um constante equilíbrio entre a prática e a teoria, a restauração se apoia na seguinte regra tríplice, formalizada nos anos 1970: estabilidade, reversibilidade e legibilidade. Concebida como um ideal a ser atingido, é importante medir seus limites: a estabilidade diz respeito à compatibilidade dos materiais; a reversibilidade, noção mais complexa, se refere aos materiais acrescentados, especialmente os do retoque, que devem poder ser retirados facilmente. Quanto à legibilidade do ato do restaurador, ela pode ser real, no caso de uma restauração arqueológica, ou localizável pela documentação constituída durante a operação.
Toda intervenção parte de uma constatação: em qual ponto ou aspecto o estado de uma obra deixou de ser satisfatório? Geralmente, vários níveis de intervenção podem ser considerados. O critério de conservação prevalece sobre a intenção de interromper, ou, ao menos, desacelerar, o processo de degradação com o intuito de prolongar a existência da obra. Mas a abordagem estética, certamente mais objetiva, escorada na ideia de que convém melhorar o aspecto visual, continua sendo essencial. Pois a compreensão da obra torna-se algumas vezes difícil. No caso da pintura, a imagem pode ser traída por repinturas, frequentemente transbordantes. Quanto aos vernizes, algumas vezes eles se amarelaram e se oxidaram, modificando assim a escala de cores e atenuando os contrastes. Na França, é tradição privilegiar a abordagem técnica mais favorável para a manutenção de uma leve camada de verniz antigo, contribuindo para a “pátina” - sinal da passagem do tempo. A intervenção de restauração repousa então sobre a definição do protocolo mais apropriado.


Este texto foi extraído do Livro "Poussin - Restauração - Hymeneus travestido assistindo a uma dança em honra a Príapo", editado pelo Instituto Totem Cultural e Imprensa Oficial

29/04/2010

Ventará assim que começe a ventar...



Espio as páginas dO Mundo Imaginário de Denise Roman, e mergulho em estórias de crianças, brinquedos, brincadeiras, florestas de ursos de pelúcia, pipas e sapatilhas... Fico com vontade de desenhar, de resgatar as brincadeiras infantis, de imaginar minhas próprias estórias nos desenhos de Denise.


Fiz uma oficina de gravura com Denise Roman a uns anos, e tenho saudades. Ganhei o livro O Mundo Imaginário de Denise Roman, presente de minha irmã, e veio com a graça do Ex Libris, um carinho delicado da artista.

05/04/2010

Diálogo entre o antigo e o contemporâneo



A Biblioteca Nacional enviou alguns livros à nossa Biblioteca Pública, e um dos exemplares me chamou a atenção para retornar a um assunto recorrente em Balneário Camboriú, o patrimônio histórico.

No exemplar "Ruy Ohtake, a arquitetura e a cidade", editado pelo Instituto Tomie Ohtake (Dezembro/2009), as páginas 258 a 262, apresentam a intervenção no edifício da Fundação Getúlio Vargas, o Palacete Conde de Sarzedas, um castelinho construído de 1880 a 1890, no centro histórico de São Paulo, pertinho da Praça da Sé. Junto ao patrimônio tombado, foi construído em 2004, um edifício que abriga o Tribunal de Justiça de São Paulo. O edifício envolve a construção histórica, estabelecendo o diálogo entre o histórico e o contemporâneo. A pele de vidro na fachada, que brinca com o côncavo e o convexo, reflete a edificação antiga e o céu, valorizando-a. O Palacete de cores ocres destaca-se sob o fundo azul.
A preservação de um bem histórico compreende ações que retardem a sua deteriorioração e possibilitem a apropriação e o uso pleno, sem que interferências destruam os testemunhos históricos. A intervenção consciente, acompanhada de pesquisa, respeitosa ao valores e significados estéticos e históricos, promove o conhecimento e o entendimento da nossa cultura e história.

Esperamos que os bens históricos do nosso município, como o Hotel Marambaia, a Fachada do Hotel Fischer, a Igrejinha Luterana, tenham essa chance.

O Livro "Ruy Ohtake - a arquitetura e a cidade" está disponível na Biblioteca Pública Machado de Assis. (3ª Avenida, esquina com rua 2500, Balneário Camboriú)


Lilian Fernanda Martins
Técnica em Conservação e Restauro
Laboratório de Conservação e Restauro da Fundação Cultural de Balneário Camboriú