04/11/2011
Rabisco, logo existo...
17/08/2011
Mãos em Obras - Lígia Spernau
Crianças visitando a mostra "Mãos em Obras", na Galeria Municipal de Balneário Camboriú.
25/04/2011
Arte e ecologia estão na moda: nova coleção de camisetas sustentáveis homenageia artistas catarinenses
Além de pensar a moda nos 3 R's (Reciclar, reduzir, reutilizar), a Fujiro apresenta a nova coleção em parceria com o projeto "Arte para Usar", e homenageia quatro importantes figuras do cenário da arte catarinense, usando imagens e frases em camisetas feitas com tecido de PET. 06/02/2011
“A quem isto serve?”, ou O uso crítico do senso crítico, por Carlos Orsi
Como Descartes já havia dito a respeito de “bom senso”, “senso crítico” é um item extremamente raro, na medida em que é valioso e, ao mesmo tempo, todas as pessoas parecem satisfeitas com o tanto que têm. Ao contrário da maioria das coisas a que a humanidade dá valor — dinheiro, fama, saúde ou beleza, por exemplo — e das quais muito nunca parece chegar a suficiente, com o “senso crítico” tudo mundo está satisfeito.
Infelizmente, a amostra disponível no mundo virtual sugere que quase todo mundo se contenta com muito pouco. As ocorrências do que passa por “senso crítico” nas caixas de comentário de blogs e reportagens me lembram do meu tempo de faculdade de Jornalismo, quando as corporações de mídia eram a Grande Besta e qualquer defesa dessas companhias com base no princípio da liberdade de imprensa era rebatida com um sorriso sardônico e a frase de efeito: “Liberdade de imprensa ou liberdade de empresa?”
O que é uma boa frase, mas um péssimo argumento. Digo, se você não gosta, digamos, da linha editorial do Estadão e está disposto a fazer algo a respeito — além de cancelar sua assinatura, o que é um jeito de votar usando o cartão de crédito –, a liberdade de empresa é o que lhe permite investir o quanto quiser (ou o que conseguir emprestar no banco, ou arrecadar com outras pessoas também insatisfeitas) na criação de um novo jornal que diga exatamente o que você acha que deve ser dito. Enfim, num ambiente livre de censura estatal, a liberdade de empresa é o que viabiliza a liberdade de imprensa. Simples assim.
No mundo virtual, a frase de efeito é “a quem isto serve”. Ela é extremamente ecumênica: ambientalistas exaltados usam-na contra quem argumenta em favor dos transgênicos; negacionistas do clima usam-na contra ambientalistas; esquerdistas usam-na contra a direita; direitistas, contra a esquerda. O novo Código Florestal deixa de ser discutido com base em seus méritos (extremamente duvidosos, de acordo com amplo consenso científico), e passa a ser tratado como um Fla-Flu entre agentes subversivos a soldo de ONGs estrangeiras com fins inconfessáveis e a ganância desmedida do agronegócio predatório. (A ironia de ser um deputado do PCdoB — provavelmente a agremiação mais acusada, em toda a história brasileira, de fazer subversão a serviço de potências estrangeiras — o principal denunciador dos inomináveis laços internacionais críticos do código não tem nada a ver com esta postagem, mas é boa demais para que deixe de ser mencionada.)
O que vou escrever agora talvez seja uma novidade bombástica para muita gente envolvida em debates travados via Twitter, em listas de e-mail e nas seções de comentários dos blogs: fechar-se numa igrejinha ideológica e lançar suspeitas de conspirações funestas e intenções macabras sobre quem discorda da, ou questiona a, teologia da sua seita particular não é exercer o senso crítico. É abster-se dele.
E é também um gigantesco exercício de preguiça mental. Se o argumento X me parece inatacável e não tenho nada a oferecer para contrapor aos dados Y, sou livre para ignorar aquilo tudo e continuar com meus preconceitos queridos, porque quem articulou X e apresentou Y é um mau caráter mal intencionado.
Esse atalho heurístico pode ser útil se você é o Super-Homem e Lex Luthor está tentando lhe convencer a deixá-lo apertar o botão vermelho onde está escrito SELF-DESTRUCT, mas no geral a saída mais honesta é pedir um tempo, raciocinar a respeito do argumento e pesquisar sobre os dados antes de cristalizar uma conclusão.
Em lógica, às vezes se diz que uma pessoa que se recusa a reconhecer a conclusão válida de um argumento está sendo “perversa”. Por exemplo, é uma “perversidade” aceitar que todos os homens são mortais e que Sócrates é um homem, mas negar que Sócrates seja mortal. A questão “a quem isto serve” pode até ter mérito em alguns contextos mas, da forma como vem sendo usada no debate online, basicamente só serve para acobertar preguiça e perversidade. Com o bônus de fazer quem a usa passar por esperto — mas só dentro da igrejinha.
21/12/2010
O Fabricante Moderno de 1941

Muitas vezes me pego lendo trechos de certos livros velhos (ou antigos...). Além da grafia e da construção textual, observo as letras (tipos), a organização dos textos, as ornamentações e ilustrações. Reúno as pistas para imaginar o modo de vida na época em que foi escrito. Tenho uma predileção aos manuais. Este, O Fabricante Moderno, é de 1941.
16/12/2010
Paleta de pintura
Paleta, em pintura, é o instrumento tradicional que o pintor usa para suporte da suas tintas. É onde a criação começa a se materializar, passar de realidade idealizada para realidade plástica. Como sou pintora, e de escola tradicional, tenho uma ligação íntima com esse instrumento. Uso a mesma paleta de quando comecei a pintar, ainda criança, uma de mão, retangular, que vinha na maleta de pintura da “Trident”. No princípio, a dividia com minha irmã, mas quando ela percebeu que a atividade permaneceria, providenciou uma outra maleta, um pouco mais incrementada, e que vinha com uma paleta maior, ficando a anterior definitivamente comigo. No atelier, quando adquirimos um cavalete profissional, foi mandado fazer sob medida uma paleta de bancada, toda invocada. No entanto, eu sempre retornava à velha paleta de mão, não sei se por apego, costume ou praticidade.
O momento disparador desse texto foi a limpeza da paleta. O mestre Dinyz sempre dizia que a paleta é o espelho do artista. Deve estar sempre organizada e limpa. Ela mostra as escolhas do pintor, revela parte da sua identidade. As lições do mestre incluíam a forma de dispor as tintas, a sequência, como misturar as cores. Mas não adianta, gosto de ver a briga do azul com o laranja, não sei usar o carmim sem esmeralda, amo misturar tinta com o pincel. Gosto muito, mas muito mesmo, de deixar as tintas que sobram acumulando nas beiradas, formando camadas, limpando toscamente o centro para uma nova mistura. Amo tirar um dia inteiro para limpar a paleta, raspando as tintas, descobrindo as cores das camadas anteriores, formando contrastes. É um momento de fruição, lendo imagens que ficaram escondidas. Girando a paleta, vejo os reflexos na água, um fundo de mar, um caminho no mato, árvores, céus, gaivotas. Vou encontrando as imagens, até chegar na madeira, com os resquícios das primeiras tintas, dispostas na “sequência ideal”. Neste momento, reflito sobre os ensinamentos dos mestres Dinys e Venâncio, relembro a sensação da descoberta de novos verdes e violetas.
No ano de 2007, apresentei a mostra “Viração”, onde eu refletia sobre as embarcações tradicionais catarinenses através das suas pinturas raspadas. O mestre tem razão, a paleta nos revela. Essas imagens são retóricas, já estavam todas prontas, há algum tempo, na face da minha paleta.
Imagem - paleta de Lilian Martins scaneada durante o processo de limpeza. Clique e salve, depois descubra imagens você também...
10/12/2010
Komum - por Diego K. Amorim

"Dois Catarinas" de férias passaram nas comemorações dos 40 anos do Paço das Artes em Sampa, e puderam conferir a animação de Diego K. Amorim, aluno USP, o "KOMUM".
http://www.youtube.com/watch?v=sttIOcwB3lE
Transcrevo:
Olá Lilian, aqui é o Diego, aluno que apresentou o 'Komum' na USP. Tudo bem?
03/12/2010
Dá para pensar arquitetura sem obra de arte? Pois em Balneário Camboriú...
Ficam as opiniões de duas catarinas, publicadas no site WWW.FABIANALANGAROLOOS.COM.BR
Lei das obras de arte nas fachadas virou “lei de fachada”
por Fabiana Langaro Loos (Fabulando - Jornal Página 3)

A indignação não é apenas dos artistas plásticos de Balneário Camboriú. Está em andamento no Ministério Público um processo iniciado pela FAAPSC - Federação das Associações de Artistas Plásticos de Santa Catarina, pedindo o cumprimento da Lei Ordinária de Balneário Camboriú/SC nº 2.524 de 19/12/2005 que versa sobre a colocação de obras de arte nas fachadas dos prédios. Infelizmente, ela não vem sendo cumprida há muito tempo. Uma cidade que investe pesado na construção civil, pouco se importa com arte e cultura. Outras cidades levam esse tipo de lei a sério e outras tantas tentam copiá-la para ser colocada em prática. Porém, em Balneário Camboriú ainda corre o risco de ser revogada, ou seja, um grande retrocesso para o município. A colocação de uma obra de arte na fachada ou jardins de uma edificação é uma contrapartida social à comunidade e aos visitantes, com acesso democrático à produção artística contemporânea, como um museu a céu aberto, ainda mais quando se fala de uma cidade turística. A quem mais recorrer? As construtoras sempre se esquivam com a desculpa que desconhecem a lei. O “habite-se” é concedido tendo em vista outros itens considerados importantes, e a arte é mais uma vez esquecida. Uma pena, uma vergonha.
Lilian Martins disse:
Muito mais que conhecimento, aplicação e fiscalização da lei, o que nos falta, é educação estética. Em todo lugar, durante toda a história da humanidade, a arte e a arquitetura sempre caminharam lado a lado. Pergunto-me que tipo de formação os arquitetos estão tendo, para não incluir em seus projetos objetos de arte. É comum vermos, por exemplo, ao invés de quadros, colocarem reproduções em papel comerciais equivocadamente chamadas de “gravuras”, que podem até “combinar” muito bem com o ambiente, porém sem trazer reflexão alguma ao espaço destinado ao convívio social. O objeto artístico estabelece uma relação íntima com quem o aprecia, promove reflexão, dialoga emocionalmente. No caso das obras de arte nas fachadas ou jardins dos prédios, compõem a paisagem, atenuando o impacto da ocupação verticalizada. Colocar obras de arte nas áreas de convívio deveria ser prática usual, tão certa quanto observar as questões de impacto ambiental e segurança… é uma pena que tenha que ser por força de lei.
Somos uma cidade bebê num país jovem. Engatinhamos na busca de uma identidade cultural local. Cabe ao construtor escolher que imagem quer associar ao seu empreendimento, ao escolher obras de arte de qualidade. E o valor da obra de arte é mais relativo à sua significância estética e histórica, do que com sua dimensão, material ou preço.
Tenho que lembrar, assim, os artistas são incubidos de uma grande responsabilidade ética, produzindo obras autorais, baseadas em pesquisa e com linguagem própria, com materiais duráveis, apresentando propostas viáveis e com preços condizentes. Congrego das opiniões de Samson Flexor, que quando o artista aceita uma encomenda, seja uma tela ou um mural, deve ter a capacidade suficiente para fazer obra de arte dentro das condições do que lhe é pedido. Flexor afirma que a grande obra de arte reflete a realidade em movimento, supera sempre as condições objetivas, ou as intenções subjetivas que lhe deram origem, e nisso reside sua liberdade.
Li a poucos dias uma reportagem sobre Recife, que tem a lei mais antiga do Brasil (numa busca rápida ao google acha). Hoje a cidade conta com mais de 2.500 obras ao céu aberto, como um grande museu ao ar livre, com obras de Brennand e outros artistas, acessíveis a toda a comunidade e visitantes.
Leis desta natureza funcionam muito bem em muitas cidades do mundo, e estabelecem-se como política pública, pois todos ganham: o construtor agrega valor ao seu empreendimento e isso reflete-se economicamente; a paisagem ganha beleza; a cidade fica mais atrativa turisticamente; o mercado de arte é fortalecido, e o mais importante, o acesso democrático e incondicional à apreciação da arte.
Muita arte para todos nós!
Lilian Martins
Artista Plástica e Restauradora
















