22/01/2011

Conspirações musicais de Venâncio Domingos Neto: quando componho, o texto já sugere uma imagética

Do verbete se fez música
Abusando da sonoridade das palavras, itajaiense Vê Domingos disponibiliza o primeiro CD na internet

Um Chevette, a Beyoncé, um pitbull e um Rayban paraguaio.
A associação desses elementos tão díspares se dá em uma
das letras do primeiro disco solo do itajaiense Vê Domingos, i
ntitulado Prosa Fina em Byte-Light Chic.

E não é só na mistura de carro, cantora e cachorro que o
músico se mostra habilidoso. Os ritmos presentes no álbum
trazem diversas direções da música brasileira, mas, no final,
a bússola acaba apontando mesmo para Itajaí.


Na última quarta-feira, Vê Domingos disponibilizou todo o
trabalho para audição e download gratuito no site de música
TramaVirtual
(www.tramavirtual.com.br/vedomingos).
O álbum físico, que tem apoio da Lei de Incentivo

à Cultura de Itajaí, deve sair somente daqui a 45 dias e, até lá,
o músico terá a chance de perceber o clima da recepção do público
em relação às músicas.


– A ideia é sentir qual pode chamar mais a atenção, qual vão gostar mais – explica Domingos.

Vê Domingos comenta que Prosa Fina em Byte-Light Chic traz
referências de estilos que surgiram com naturalidade no processo
de composição e também pela parceria com os amigos e convidados
para a produção do disco.

Por isso, aparecem o requinte do jazz, a leveza do reggae,
o desprendimento do samba e a energia do rock.


Mas o ponto forte do disco é a letra. Se na melodia a mistura
é a característica principal, as letras se unem pela brincadeira
e domínio dos verbetes que Vê Domingos apresenta aos ouvidos.
Na estranheza, similaridade

ou sonoridade das palavras, o músico constrói um cenário de
fantasia com toques de esperteza, agilidade e bom humor.


– A priori, é do texto que nasce a música, e não ao contrário –
comenta o músico, que ainda completa explicando que busca
uma simplicidade que fuja do piegas.


Da música nasce outra arte. Vê Domingos também é artista plástico,
com fortes referências musicais em suas obras. A capa do disco, por
exemplo, foi produzida por ele. Além disso, o compositor está com a
exposição
Gestual aberta na Galeria Municipal de Arte da Fundação
Cultural de Itajaí, Rua Lauro Müller, 53, Centro. A mostra pode ser
visitada até o dia 27, sempre das 8h às 13h.


E as obras têm certa musicalidade. Suas próprias canções inspiram pinturas.

– Quando componho, o texto já sugere uma imagética – comenta Vê Domingos.


Fonte: Jornal de Santa Catarina, 21/01/2011

12/01/2011

"O JOAQUIM E A GUILHERMINA”


"O JOAQUIM E A GUILHERMINA”

no Consulado de la República Argentina en Florianópolis.


Na Quarta feira 12 de Janeiro as 19:00 horas, o artista plástico Argentino Guido Bogetti, abrirá a exposição “O Joaquim e a Guilhermina”, na sede do Consulado da República Argentina, em Florianópolis, onde mostrará seus últimos trabalhos.


Após ter exposto na França com enorme sucesso, volta ao seu ateliê na cidade de Balneário Camboriú, onde retoma seu trabalho inspirado na vida dos pescadores catarinenses, O Joaquim e a Guilhermina é uma exposição de 14 quadros ao óleo; representam os personagens das pequenas vilas do nosso litoral e estão retratados pelo artista em situações tão cotidianas quanto particulares.

O Joaquim pescando, ou dançando junto a sua mulher, a Guilhermina, ou ambos assistindo a missa antes de ir para o mar.


Simpáticos ou dramáticos “os momentos retratados representam não somente a vida simples do litoral catarinense, mas também a realidade cultural da America do Sul”, diz o artista.


Guido Bogetti nasceu em 1940, numa pequena cidade de imigrantes Italianos, no interior da Província de Córdoba, Argentina; sobrinho do notável pintor Armando Molina Rosa, cursava cinematografia na Escola de Artes da UNC, (Universidade Nacional de Córdoba) quando descobriu sua verdadeira vocação pelas artes plásticas, formando-se como professor de desenho e pintura. Completa sua formação com os Professores de artes Martiniano Schieppaquercia e Luis Sosa Luna.


Suas obras começam a cobrar notoriedade por volta de 1979, quando os mais importantes museus e galerias de artes revelam o trabalho do pintor.


Tendo passado por múltiplas tendências da plástica no decorrer de sua atividade artística, seguindo seu inquieto e investidor espírito, encontra-se hoje, com muita experiência recolhida. Sempre dentro do Americanismo, figurativo e expressionista o pintor expressa na sua obra a terrível força do espírito latino-americano, o sol na pele de seus habitantes e rostos de olhares profundos.


Na Quarta Feira 12 de Janeiro de 2011, as 19:00 horas, o Cônsul da República Argentina em Florianópolis, Ministro Alberto Agustín Coto, receberá o artista, autoridades, jornalistas da imprensa Estadual e convidados para o coquetel de abertura da mostra, que permanecerá aberta a visitação até o dia 2 de Março de 2011. Durante a vernissage será apresentado um documentário sobre a influência do sistema político Argentino e a realidade social na obra do artista Guido Bogetti.


Mais informações: 48 3024 3035 – 36 (Consulado da República Argentina) 47 3366 7092 - 8404 6668 (Trotamundos films, produção da exposição) 47 3361 7081 (ateliê do artista)

10/01/2011

Indicador Catarinense das Artes Plásticas


Já está disponível para a visualização na internet a terceira edição, revista e ampliada, do Indicador Catarinense de Artes Plásticas. O projeto de autoria de Harry Laus tem a organização de Nancy Terezinha Bortolin, com coordenação de Maria Tereza Collares e Jayro Schmidt, pesquisa de Eliane Prudêncio da Costa e Mateus Bernardes. A realização é da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), através do Museu de Artes de Santa Catarina (MASC).


Para acessar, entre em http://www.masc.org.br/ e clique no link "Indicador Catarinense das Artes Plásticas".

08/01/2011

Para recuperar a Dide Brandão: Laudo vai determinar continuidade das obras de restauro da Casa da Cultura


Um laudo que deverá ser entregue em 10 dias vai determinar quais medidas devem ser adotadas para a recuperação e reforma da parte do telhado da Casa da Cultura que desmoronou na quinta-feira (6). O documento será elaborado por engenheiros e arquitetos da Prefeitura de Itajaí e da Construtora Desterro, responsável pelas obras de restauro da Casa da Cultura. As obras seguirão em ritmo normal nas áreas não afetadas pelo desabamento. O prédio da Casa da Cultura Dide Brandão, no Centro da Cidade, passa por obras de restauro e conservação desde agosto do ano passado. Ontem, por volta do meio-dia, o telhado frontal desmoronou. Como era horário de almoço, por sorte, não havia ninguém no local e não houve feridos. De acordo com o engenheiro da Prefeitura, Marcelo Schlickmann de Souza, um grupo técnico fará vistorias no local para a elaboração de um laudo que determinará como continuar as obras naquela parte em que o telhado desabou. A preocupação com a continuidade das obras é justamente por se tratar de um minucioso restauro. Ainda segundo o engenheiro, a empresa está fazendo um excelente trabalho de restauro e o incidente deve ter sido causado pela ação de cupins, da chuva e pelo fato da platibanda frontal ser mais alta e pesada.


Fonte: FCI
Foto: Lilian Martins, em 28/03/2009

Opinião: O que Balneário Camboriú precisa na área da cultura?

Resposta de Lilian Martins, em atenção a enquete do Jornal Página 3 (31/12/2010), publicada em 08/01/2011
Caros jornalistas do Jornal Página 3
Venho dizer que aprecio o respeito que vocês dedicam à cultura, denotando o reconhecimento da importância da arte e da cultura para o desenvolvimento social de Balneário Camboriú. A abertura democrática à discussão da nossa cultura a fortalece, a consolida. Com entusiasmo li a edição do dia 31 de dezembro, e me motivei a contribuir com a matéria.
Sobre a pergunta “O que Balneário Camboriú precisa na área da cultura?”, penso que a autora da coluna “Opinião” da mesma edição responde muito bem: Política Pública. E Política Pública depende de esforços do poder público, iniciativa privada e comunidade. Não basta dizer que “não há vontade política”, “há muita burocracia”, ou ainda, “faltam eventos”. É compromisso de todos nós, como contribuintes, eleitores, gestores, consumidores e produtores culturais.
Cito algumas coisas já realizadas neste sentido, que foram citadas na matéria, mas parece que há um desconhecimento por parte dos produtores culturais da nossa cidade.
Gostaria de informar a existência da LEI Nº 2938, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2008, que "DISPÕE SOBRE O PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO E FOMENTO A CULTURA PARA APOIO À REALIZAÇÃO DE PROJETOS CULTURAIS, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS". Pode-se dizer que já há um esforço no fortalecimento dos núcleos produtores, que em geral, precisam de um pequeno incentivo para produzir grandes resultados.
Sobre o Arquivo Histórico Municipal, como funcionária efetiva do setor, digo que este está em funcionamento atendendo todos os dispositivos da LEI Nº 1293/1993, que "CRIA O ARQUIVO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ". Esta lei, na íntegra, pode ser consultada no site da Prefeitura de Balneário Camboriú e no próprio Arquivo Histórico de Balneário Camboriú. É de conhecimento público que o Arquivo de nossa cidade tem uma das melhores estruturas do estado, equipado com arquivos deslizantes próprios para a conservação do acervo documental e icnográfico. Recentemente, inclusive, a equipe teve muito êxito na recuperação de um acervo de negativos de vidro, que brevemente estarão disponíveis para a apreciação da comunidade. É muito importante que a comunidade se aproprie efetivamente do conhecimento que temos guardado.
Para uma cidade de apenas 46 anos de emancipação política, sem tradição em cultura e que abriga um grupo cultural extremamente heterogêneo, avançamos consideravelmente. Tombamos como patrimônio histórico a Igrejinha Luterana (DECRETO Nº 2937, DE 1998) e a Igreja de Santo Amaro (DECRETO Nº 3007, DE 1998), criamos a Biblioteca Pública (1968) e o Arquivo Histórico (1993), uma Fundação Cultural e Conselhos (LEI Nº 2397 DE 12 DE NOVEMBRO DE 2004), criamos “Áreas Especiais de Interesse e do Patrimônio Histórico e Ambiental” (LEI Nº 2794, DE 14 DE JANEIRO DE 2008), e outras tantas leis para a área da cultura. Mas também, chamo a responsabilidade dos produtores culturais em geral, que muitas vezes são desarticulados, não desenvolvem projetos coerentes, não pesquisam ou fazem planejamento, e esperam que o poder público faça tudo e que o público consumidor de cultura simplesmente apareça em seus “eventos”. Como consumidores de cultura, faltam visitas à Biblioteca, ao Arquivo, à Galeria de Artes, aos recitais, às produções locais. Como fiscalizadores das políticas públicas, falta o nosso comprometimento enquanto comunidade. Muito se fala em consciência ambiental. Não vejo as questões do meio ambiente dissociadas dos aspectos sociais e culturais. Espero que, em 2011, possamos despertar também para uma consciência cultural.
Lilian Martins
Artista Plástica, Conservadora e Restauradora de Bens Culturais Móveis

28/12/2010

Negativos de vidro: escanear para preservar a memória

Sobre o assunto da postagem anterior, os negativos de vidro, divulgamos agora parte do processo, que revelou lindas imagens no acervo do Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.

Os negativos estavam sem data e a única identificação é a inscrição "Fischer - Bom Retiro" na parte inferior da caixa.

1. Os negativos de vidro estavam acondicionados em uma caixa de papel, sem isolamento entre as peças. Haviam sujidades aderidas, fungos, marcas de dedos, manchas, riscos. A emulsão estava instável em uma das 17 peças. Abaixo, registro do estado das peças:

2. Após uma limpeza superficial, os negativos foram escaneados:
3. Consultamos os manuais de conservação de acervo fotográfico para fazer uma limpeza mais profunda. Pesquisamos também sobre o processo de escanner de negativos, e apesar de nosso equipamento não ser o mais adequado, conseguimos este resultado:

Outros resultados:






24/12/2010

Descobrindo imagens no Arquivo Histórico de Balneário Camboriú


Constituem acervo do Arquivo Histórico de Balneário Camboriú, uma coleção de negativos de vidro. A coleção está sem identificação, e encontravam-se em estado de conservação ruim. Os negativos foram limpos e escaneados, e as imagens digitais trabalhadas. O cotidiano no Laboratório de Conservação e Restauro sempre é cheio de surpresas. Resta agora, o trabalho de identificação destas belas imagens.


Equipe que colaborou com o trabalho: Olga Blessmann, Renata Araujo, Lilian Martins, no Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.
Colabore com o Arquivo Histórico, entre em contato!
Terceira Avenida esquina com Rua 2500, Balneário Camboriú
(47) 3264 5706

21/12/2010

O Fabricante Moderno de 1941

Muitas vezes me pego lendo trechos de certos livros velhos (ou antigos...). Além da grafia e da construção textual, observo as letras (tipos), a organização dos textos, as ornamentações e ilustrações. Reúno as pistas para imaginar o modo de vida na época em que foi escrito. Tenho uma predileção aos manuais. Este, O Fabricante Moderno, é de 1941.

16/12/2010

Paleta de pintura


Paleta, em pintura, é o instrumento tradicional que o pintor usa para suporte da suas tintas. É onde a criação começa a se materializar, passar de realidade idealizada para realidade plástica. Como sou pintora, e de escola tradicional, tenho uma ligação íntima com esse instrumento. Uso a mesma paleta de quando comecei a pintar, ainda criança, uma de mão, retangular, que vinha na maleta de pintura da “Trident”. No princípio, a dividia com minha irmã, mas quando ela percebeu que a atividade permaneceria, providenciou uma outra maleta, um pouco mais incrementada, e que vinha com uma paleta maior, ficando a anterior definitivamente comigo. No atelier, quando adquirimos um cavalete profissional, foi mandado fazer sob medida uma paleta de bancada, toda invocada. No entanto, eu sempre retornava à velha paleta de mão, não sei se por apego, costume ou praticidade.

O momento disparador desse texto foi a limpeza da paleta. O mestre Dinyz sempre dizia que a paleta é o espelho do artista. Deve estar sempre organizada e limpa. Ela mostra as escolhas do pintor, revela parte da sua identidade. As lições do mestre incluíam a forma de dispor as tintas, a sequência, como misturar as cores. Mas não adianta, gosto de ver a briga do azul com o laranja, não sei usar o carmim sem esmeralda, amo misturar tinta com o pincel. Gosto muito, mas muito mesmo, de deixar as tintas que sobram acumulando nas beiradas, formando camadas, limpando toscamente o centro para uma nova mistura. Amo tirar um dia inteiro para limpar a paleta, raspando as tintas, descobrindo as cores das camadas anteriores, formando contrastes. É um momento de fruição, lendo imagens que ficaram escondidas. Girando a paleta, vejo os reflexos na água, um fundo de mar, um caminho no mato, árvores, céus, gaivotas. Vou encontrando as imagens, até chegar na madeira, com os resquícios das primeiras tintas, dispostas na “sequência ideal”. Neste momento, reflito sobre os ensinamentos dos mestres Dinys e Venâncio, relembro a sensação da descoberta de novos verdes e violetas.


No ano de 2007, apresentei a mostra “Viração”, onde eu refletia sobre as embarcações tradicionais catarinenses através das suas pinturas raspadas. O mestre tem razão, a paleta nos revela. Essas imagens são retóricas, já estavam todas prontas, há algum tempo, na face da minha paleta.


Imagem - paleta de Lilian Martins scaneada durante o processo de limpeza. Clique e salve, depois descubra imagens você também...

14/12/2010

Fabiana Langaro Loos: Costa Verde e Mar em Sampa


Olá!!
Convido para o coquetel de abertura de minha exposição "Costa Verde e Mar", dia 16/12 (quinta-feira) das 20:30 às 23 horas, na Galeria a Mali Villas-Bôas, no Itaim Bibi, na capital paulista.
Obrigada. beijos, Fabi

Galeria Mali Villas-Bôas - Rua Tabapuã, 838 (Travessa Alex Vallauri, 5) - Itaim Bibi - 04533-020 - São Paulo/SP

www.galeriamalivillasboas.com.br www.twitter.com/GaleriaMVB

(55)11-3078-4586/3078-0541


Fabiana Langaro Loos - artista plástica
55 47 9989-2913
fabiloos@terra.com.br
fabi_loos@hotmail.com
www.fabianalangaroloos.com.br
Balneário Camboriú - SC - Brasil

10/12/2010

Komum - por Diego K. Amorim

Link
"Dois Catarinas" de férias passaram nas comemorações dos 40 anos do Paço das Artes em Sampa, e puderam conferir a animação de Diego K. Amorim, aluno USP, o "KOMUM".
http://www.youtube.com/watch?v=sttIOcwB3lE


Transcrevo:

Olá Lilian, aqui é o Diego, aluno que apresentou o 'Komum' na USP. Tudo bem?
Escrevo para passar o link do vídeo no youtube.


Obrigado,

Diego.

03/12/2010

Dá para pensar arquitetura sem obra de arte? Pois em Balneário Camboriú...

Novamente se levanta a discussão sobre a importância da arte no cotidiano das cidades. Essa questão tem contribuido para que, em muitas cidades por aí, se aprovem leis que incluam obras de arte nas frentes de edificações. Funcionam muito bem em Recife, São Paulo, Florianópolis e São José.

Ficam as opiniões de duas catarinas, publicadas no site WWW.FABIANALANGAROLOOS.COM.BR

Lei das obras de arte nas fachadas virou “lei de fachada”

por Fabiana Langaro Loos (Fabulando - Jornal Página 3)

04site

A indignação não é apenas dos artistas plásticos de Balneário Camboriú. Está em andamento no Ministério Público um processo iniciado pela FAAPSC - Federação das Associações de Artistas Plásticos de Santa Catarina, pedindo o cumprimento da Lei Ordinária de Balneário Camboriú/SC nº 2.524 de 19/12/2005 que versa sobre a colocação de obras de arte nas fachadas dos prédios. Infelizmente, ela não vem sendo cumprida há muito tempo. Uma cidade que investe pesado na construção civil, pouco se importa com arte e cultura. Outras cidades levam esse tipo de lei a sério e outras tantas tentam copiá-la para ser colocada em prática. Porém, em Balneário Camboriú ainda corre o risco de ser revogada, ou seja, um grande retrocesso para o município. A colocação de uma obra de arte na fachada ou jardins de uma edificação é uma contrapartida social à comunidade e aos visitantes, com acesso democrático à produção artística contemporânea, como um museu a céu aberto, ainda mais quando se fala de uma cidade turística. A quem mais recorrer? As construtoras sempre se esquivam com a desculpa que desconhecem a lei. O “habite-se” é concedido tendo em vista outros itens considerados importantes, e a arte é mais uma vez esquecida. Uma pena, uma vergonha.

Lilian Martins disse:

Muito mais que conhecimento, aplicação e fiscalização da lei, o que nos falta, é educação estética. Em todo lugar, durante toda a história da humanidade, a arte e a arquitetura sempre caminharam lado a lado. Pergunto-me que tipo de formação os arquitetos estão tendo, para não incluir em seus projetos objetos de arte. É comum vermos, por exemplo, ao invés de quadros, colocarem reproduções em papel comerciais equivocadamente chamadas de “gravuras”, que podem até “combinar” muito bem com o ambiente, porém sem trazer reflexão alguma ao espaço destinado ao convívio social. O objeto artístico estabelece uma relação íntima com quem o aprecia, promove reflexão, dialoga emocionalmente. No caso das obras de arte nas fachadas ou jardins dos prédios, compõem a paisagem, atenuando o impacto da ocupação verticalizada. Colocar obras de arte nas áreas de convívio deveria ser prática usual, tão certa quanto observar as questões de impacto ambiental e segurança… é uma pena que tenha que ser por força de lei.

Somos uma cidade bebê num país jovem. Engatinhamos na busca de uma identidade cultural local. Cabe ao construtor escolher que imagem quer associar ao seu empreendimento, ao escolher obras de arte de qualidade. E o valor da obra de arte é mais relativo à sua significância estética e histórica, do que com sua dimensão, material ou preço.

Tenho que lembrar, assim, os artistas são incubidos de uma grande responsabilidade ética, produzindo obras autorais, baseadas em pesquisa e com linguagem própria, com materiais duráveis, apresentando propostas viáveis e com preços condizentes. Congrego das opiniões de Samson Flexor, que quando o artista aceita uma encomenda, seja uma tela ou um mural, deve ter a capacidade suficiente para fazer obra de arte dentro das condições do que lhe é pedido. Flexor afirma que a grande obra de arte reflete a realidade em movimento, supera sempre as condições objetivas, ou as intenções subjetivas que lhe deram origem, e nisso reside sua liberdade.

Li a poucos dias uma reportagem sobre Recife, que tem a lei mais antiga do Brasil (numa busca rápida ao google acha). Hoje a cidade conta com mais de 2.500 obras ao céu aberto, como um grande museu ao ar livre, com obras de Brennand e outros artistas, acessíveis a toda a comunidade e visitantes.

Leis desta natureza funcionam muito bem em muitas cidades do mundo, e estabelecem-se como política pública, pois todos ganham: o construtor agrega valor ao seu empreendimento e isso reflete-se economicamente; a paisagem ganha beleza; a cidade fica mais atrativa turisticamente; o mercado de arte é fortalecido, e o mais importante, o acesso democrático e incondicional à apreciação da arte.

Muita arte para todos nós!
Lilian Martins
Artista Plástica e Restauradora

30/11/2010

Gestual - por Venâncio Domingos Neto


Venâncio Domingos Neto é artista plástico, músico e arte educador em Itajaí.
Fica o convite para a mostra, que abre no dia 07 de dezembro às 20 horas, na Galeria Municipal de Arte da Fundação Cultural de Itajaí.

“As obras de Venâncio Domingos Neto giram em torno de um único eixo: o gesto. Para Venâncio, o gesto é uma expressão da espontaneidade, revela intenções, percepções e tem uma linguagem inclusa que aproxima-se da essência do ser humano. As linhas são dispostas na composição sempre com o objetivo de captar a intenção corpórea das figuras humanas que estão sempre presentes em suas obras”.

“Venâncio Domingos Neto é filho mais novo do artista Dinyz Domingos. Começou a desenhar e pintar precocemente, em uma idade em que materiais e encorajamento familiar faziam parte do seu universo. Trabalhou com seu pai em aulas ministradas a amadores e profissionais, tendo contato com diversos artistas dos Estados de Santa Catarina e Paraná. Trabalhou na Casa da Cultura Dide Brandão em Itajaí, ministrando aulas de arte para crianças, adultos, e também para pintores amadores e profissionais”.

08/11/2010

Tributo a Lindolf Bell


Marion Bubeck e Rafaela Bell promovem na Mabeck, tributo a Lindolf Bell, Lançamento do Livro " O Ser Humano e o Destino Poético", exposição 30 anos de Catequese Poética e, Leilão de Obras de Arte com objetos, esculturas e antiguidades.

O evento conta com o patrocinio da Malwee, Construtora Stein, Cia.Hering, Decanter e Tecnoblu e, apoio da Casa do Poeta Lindolf Bell, Arte para Usar, Tabajara TC, Gallus Brasil, Lista VIP Gustavo Siqueira e Giba Santos.

Mais de 50 artistas participarão com obras no Leilão.

O evento iniciará as 19h30 do dia 17 de novembro na Rua Assunção 162, esquina Rua Bolivia, bairro Ponta Aguda, Blumenau.

O leilão será comandado pelo leiloeiro Jefferson Eduardo Zampieri da Zampieri Leilões.
Informações pelo fone 47 3322-0340

30/09/2010

Argamassa de bactérias: uso de biomineralização na conservação de monumentos históricos


No Atecor tive acesso a informações muito interessantes sobre a "biomineralização" usada na conservação do patrimônio histórico. A pesquisa trata do uso de tecnologias não agressivas na limpeza de monumentos e esculturas em pedra, e que possibilite reconstituir a superfície através da adaptação do uso de bactérias não patogênicas que "fabricam" calcário. Essas bactérias são cultivadas em uma solução aquosa e vaporizadas na superfície do bem, e alimentadas por um líquido nutritivo. Assim, elas se ploriferam e produzem calcário. Esgotado o alimento, elas morrem, e deixam a superfície consolidada.

Trago na íntegra o texto da revista Label France (1999), clique para ampliar.

A empresa que atuou no restauro de monumentos importantes na França, como a Catedral Notre Dame de Paris, as Galerias Lafayette e o Palácio de Luxemburgo, tem mais inforações no site http://www.calcitebioconcept.com/idx_presentation.htm.

28/09/2010

“A conservação preventiva da herança documental em climas tropicais: uma bibliografia anotada”

Buscando referenciais para o ofício de Conservadora/Restauradora, encontrei uma publicação disponível para download:

"A conservação preventiva da herança documental em climas tropicais: uma bibliografia anotada"

René Teijgeler
Publicações Técnicas
Biblioteca Nacional
Lisboa, 2007




A publicação portuguesa, além de trazer os conceitos básicos de preservação e conservação, apresenta vasta bibliografia.

Disponível em http://purl.pt/13853/1/

Trecho da apresentação de Maria Luísa Cabral:

"Em sessenta anos de ciência da conservação muita coisa mudou; a complementaridade que registamos com este livro é seguramente uma mudança maior. Por outro lado, ter a possibilidade de dispor dum manual deste tipo para toda a comunidade de língua portuguesa, constituía um desafio enorme, profissionalmente muito compensador. (…) Também devo sublinhar que a tradução deste livro é duplamente oportuna. Do ponto de vista da orientação científica porque nunca é demais explicar e divulgar que as instituições, e os seus profissionais, devem optar pela conservação preventiva. Não há mais tempo, dinheiro ou perícia humana suficientes para os cuidados que a vasta massa documental exige. Esta ideia tem de solidificar
desde a primeira decisão ou, como diz o autor, não fosse um bom edifício a primeira linha de defesa."

Estudos de gaivotas




Alguns esboços...
agosto de 2010


Gravura




Duas matrizes foram resgatadas e impressas por Lígia Spernau.
Gravura em metal (buril )
Lilian Martins, 2010

23/09/2010

Exposição de Esculturas em Rio Negrinho

Segue uma imagem da exposição de esculturas dos artistas da ARNAP - Associação Rio Negrinho de Artistas Plásticos. As obras são resultado de um curso ministrado por Pita Camargo.

Foto - Astrid Lindroth

13/09/2010

Mais Vincent...


Já tive a oportunidade de apreciar referências importantes para compreender um pouco a obra de Vincent: contato com obras em museus, visitando Auvers sur Oise, publicações (Obra Completa, da Taschen; Biografia por Jo Van Gogh-Bonger, sua cunhada; Cartas à Theo).


Mas tenho em minhas mãos uma referência interessantíssima sobre Vincent Van Gogh, que ganhei de uma querida amiga. Como ela é psiquiatra, já conversamos muitas vezes sobre o artista atormentado. Desta vez ela me trouxe de presente uma biografia do artista do ponto de vista médico.


Fica aí a dica de leitura, para quem se interessar!

A Doença e a Arte de Vincent Van Gogh
Elza Márcia Targas Yacubian
Casa Leitura Médica

"Apesar da falta de reconhecimento profissional por parte dos seus contemporâneos, Vincent Van Gogh desenvolveu uma idéia artística própria, alcançando uma vasta obra só tardiamente reconhecida e de inestimável valor na atualidade. Sua enfermidade, bem como a influência desta em sua obra, tem sido objetivo de numerosas investigações e especulações, desafiando a medicina mais de 150 anos após o seu nascimento. Suas cartas autobiográficas e o diagnóstico de seus médicos confirmam o fato de que ele apresentou sintomas físicos e psicopatológicos, especialmente nos seus últimos anos. A patografia de van Gogh é facilitada por suas cartas, cuidadosamente ordenadas por Johanna van Gogh-Bonger, a esposa de seu irmão Theo. Neste texto, não existe a ambição de trazer contribuições científicas sobre a possível doença ou renovar a interpretação de algum aspecto de sua obra, são apresentados apenas o resumo do material colhido nas publicações citadas na bibliografia. Ao final, constata-se que a admissão em um hospital nos dias atuais de um gênio como Vincent van Gogh seria um desafio semelhante ao que enfrentaram os médicos do século XIX."

Catarinas em Auvers Sur Oise

A paixão pela obra de Vincent Van Gogh levou duas catarinas para Auvers Sur Oise (a 27 km de Paris). As cores, os cheiros e as paisagens são inspiradoras. Fica aqui o registro do túmulo do artista, cuja obra, processo criativo e história de vida desperta muito interesse.


As catarinas também visitaram Giverny, cidade adotada por Monet. E o susto: completamente embriagadas pela sensação de andar pelos lugares que outrora andaram nossos artistas prediletos, avistamos Vincent da janela do quarto de Monet, passeando pelos jardins...


10/09/2010

Fabulando sobre o Arte Catarina




Fabiana Langaro Loos, companheira de arte e colunista do Jornal Página 3, citou o Blog Arte Catarina na sua coluna Fabulando do dia 4 de setembro, juntamente com outros dez blogs catarinas.
Valeu, Fabi!

11/08/2010

VIRAÇÃO - 2010

Remanso


Estaleiro

Continuam sendo barcos... a tinta descascada é testemunho das temporadas de pesca.



Muitos barcos...

Batera do Zimbros


A maré não está pra peixe

Espiando pela fresta da porta


Maré Seca


Barcos, bateras, canoas, baleeiras, botes... São diversos os tipos de embarcações usadas na pesca artesanal no litoral catarinense, cada uma com o seu colorido, sua forma e sua função. São cada vez mais raras, o conhecimento empírico dos pescadores e mestres carpinteiros tem perdido espaço para as grandes embarcações, que, com sonares e em alto mar, buscam o pescado em larga escala.
Enquanto ainda existem, são registradas em óleo sobre tela.